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Press Center 18-09-2026

18-09-2026

O problema da segurança começa quando aquilo que parecia excecional passa a repetir-se. O narcotráfico é talvez o exemplo mais evidente. As autoridades portuguesas encontraram pelo menos 13 embarcações associadas a esta atividade na costa portuguesa nos últimos três meses. Em apenas dois dias foram localizadas três, em Lisboa, Sesimbra e próximo de Sagres. A própria Polícia Judiciária admite preocupação com o volume do tráfico e reconhece que Portugal funciona como uma das portas de entrada da cocaína proveniente da América do Sul.

O Press Center volta, aliás, a registar apreensões de cocaína, tráfico de droga, lanchas rápidas e operações policiais em diferentes pontos do território. O problema já não pode, por isso, ser observado apenas através da quantidade de droga apreendida. A questão essencial está na capacidade logística, financeira e operacional das organizações que utilizam o espaço marítimo português e obrigam o Estado a dispersar recursos por uma extensa linha costeira.

Ao mesmo tempo, regressa uma velha questão: há polícias suficientes onde são necessários?

O Governo anunciou a expectativa de reforçar a presença policial em Lisboa até ao final do ano. Foram referidos 200 elementos para a PSP e 100 para a Polícia Municipal, embora o próprio ministro da Administração Interna tenha reconhecido que nem todas as vagas abertas nos concursos foram preenchidas. Lisboa já teve mais de oito mil elementos da PSP e conta atualmente com pouco mais de seis mil, segundo declarações do governante.

É neste contexto que devem ser lidas as restantes ocorrências do dia: detenções por rapto e extorsão, violência doméstica, pornografia de menores, agressões entre jovens, incidentes em escolas e suspeitas de fogo posto. Há ainda problemas menos espetaculares, mas igualmente relevantes, como as dúvidas sobre o controlo da formação dos tripulantes de ambulância que asseguram parte importante do socorro pré-hospitalar.

Também merece atenção a decisão de incluir no próximo RASI dados sobre nacionalidade, país de nascimento e situação documental de suspeitos de crimes, recolha que, segundo o Ministério da Administração Interna, começou em julho. Mais informação estatística pode permitir análises mais rigorosas. Mas os números terão de ser acompanhados de contexto, proporcionalidade e denominadores adequados. Estatística criminal séria serve para compreender fenómenos, não para confirmar preconceitos previamente escolhidos.

E depois há a Europa.

A crise migratória de Ceuta permanece sob forte tensão, enquanto a guerra na Ucrânia continua a projetar riscos muito para além da frente de combate. O próprio Press Center regista um ataque de drone a uma torre de refrigeração da central nuclear russa de Kursk. A Agência Internacional de Energia Atómica confirmou o impacto, sem atribuir a autoria do ataque, e voltou a sublinhar os riscos inerentes a ações militares junto de instalações nucleares.
Mais inquietante ainda é a crescente importância da chamada guerra híbrida. Emmanuel Macron afirmou que as ameaças atribuídas pela França à Rússia se intensificaram e pediu um plano de proteção das infraestruturas críticas contra drones e ciberataques. Trata-se de uma acusação francesa, contestável como qualquer imputação internacional, mas que traduz uma preocupação hoje assumida por vários governos europeus: as fronteiras entre paz e conflito estão cada vez menos nítidas.

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J.M.Ferreira

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