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Press Center 20-09-2026

20-09-2026

No distrito de Coimbra, os incêndios ameaçaram aldeias, mobilizaram mais de 700 operacionais e obrigaram ao emprego de 15 meios aéreos. Tábua, Miranda do Corvo, Cantanhede, Arganil e Vila Nova de Poiares voltaram a enfrentar o medo das chamas. Quando uma moradora confessa que começou a chorar perante o que via, as estatísticas ganham rosto: por detrás de cada hectare queimado há pessoas, casas, memórias e comunidades inteiras suspensas entre a fuga e a esperança. As suspeitas de origem criminosa tornam o cenário ainda mais inquietante.

A violência também atravessou o espaço familiar. Um homem ameaçou matar a namorada e o pai desta diante da polícia, enquanto, noutro caso, um filho apertou o pescoço do próprio pai com um cinto para tentar salvar a mãe de agressões. São episódios extremos, mas reveladores de como a violência doméstica pode transformar uma casa num lugar de medo e obrigar os filhos a assumir um papel que nunca lhes deveria caber.

Nas ruas, sucederam-se outros sinais de alarme: uma execução no Bairro da Serafina, agressões envolvendo dezenas de pessoas em Tavira, assaltos violentos e redes dedicadas ao furto de viaturas. A GNR deteve 16 pessoas numa operação no distrito de Setúbal e a PSP realizou dez detenções, apreendendo 212 doses de droga na Baixa de Lisboa. A atuação policial produz resultados, mas a repetição dos casos mostra uma criminalidade persistente, móvel e cada vez mais diversificada.

Há ainda perigos menos visíveis. Grupos digitais recrutam jovens para a automutilação e para comportamentos violentos, explorando fragilidades emocionais longe do olhar das famílias. Também as burlas através da apropriação da identidade de figuras públicas confirmam que, no mundo digital, a confiança se tornou matéria-prima para o crime.

Lá fora, o quadro é igualmente perturbador. Mais de 300 drones atingiram Moscovo em pleno período eleitoral, os huthis lançaram um míssil contra Riade e a Coreia do Norte voltou a testar armamento balístico. No Lago Chade, um ataque jihadista provocou pelo menos 20 mortos. Entre sanções, ameaças nucleares, propaganda e operações militares, a diplomacia parece correr atrás dos acontecimentos.

É neste contexto que António Costa e os líderes do Brasil, Canadá e Quénia propõem uma reforma das Nações Unidas. A iniciativa chega num momento oportuno: a ONU continua indispensável, mas revela-se frequentemente incapaz de conter guerras, disciplinar potências ou responder com rapidez às crises.

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J.M.Ferreira

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