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Press Center 29-10-2026

29-10-2026

Em Lisboa, a manifestação de profissionais da Guarda Nacional Republicana e da Polícia de Segurança Pública, exigindo melhores condições remuneratórias, trouxe novamente à discussão a valorização de quem assegura diariamente a segurança dos cidadãos. Não basta exigir disponibilidade, profissionalismo e capacidade de resposta a situações de risco. É indispensável reconhecer essas responsabilidades através de condições de trabalho dignas, carreiras atrativas e remunerações adequadas. Um Estado que desvaloriza os seus profissionais de segurança acaba, inevitavelmente, por comprometer a sua própria capacidade de proteção.

Paralelamente, as intervenções policiais nas manifestações pela habitação continuam a suscitar dúvidas sobre a proporcionalidade da utilização da força e a responsabilidade pelas decisões operacionais. A autoridade do Estado é indispensável, mas a sua legitimidade depende do respeito pela legalidade, da transparência e da responsabilização. Defender as forças de segurança não significa dispensar o escrutínio das suas atuações; significa exigir que possam exercer a sua missão com orientações claras e respaldo institucional.

A criminalidade violenta voltou também a marcar a atualidade, com esfaqueamentos, agressões graves, confrontos entre jovens e operações contra o tráfico de droga. Episódios que, embora distintos, reforçam a importância da prevenção criminal, da investigação e de uma presença policial eficaz. A anunciada expansão da videovigilância em Lisboa poderá constituir um instrumento complementar, mas nenhuma tecnologia substitui o policiamento de proximidade, a intervenção preventiva e o conhecimento das comunidades.

Há, contudo, uma dimensão da insegurança frequentemente menos visível. Os 6.120 menores em acolhimento registados em 2025, apesar da redução face ao ano anterior, recordam que milhares de crianças e jovens continuam a necessitar da proteção do Estado. A agressão reiterada a uma mulher grávida de sete meses, no Seixal, evidencia igualmente a persistência da violência doméstica e a importância de uma intervenção policial rápida, articulada com mecanismos efetivos de proteção das vítimas. A segurança começa, muitas vezes, dentro de casa, precisamente onde deveria existir maior proteção.

No plano internacional, a tragédia ferroviária de Toledo, em Espanha, com 69 vítimas mortais segundo o balanço divulgado, levanta questões particularmente exigentes sobre segurança dos transportes, fiscalização e prevenção de acidentes. A sofisticação tecnológica não elimina o erro humano, as falhas técnicas ou as insuficiências de supervisão. Para Portugal, que aposta na modernização da rede ferroviária, esta tragédia deve constituir um alerta: a segurança não pode ser uma preocupação secundária perante os objetivos de velocidade, investimento e execução.

Entretanto, a guerra na Ucrânia continua a demonstrar como os conflitos contemporâneos conjugam operações militares convencionais, ataques com drones, pressão sobre infraestruturas críticas e ameaças à população civil. A exposição de milhares de dados associados à segurança norte-americana e as notícias sobre utilização de inteligência artificial em ciberataques confirmam que a vulnerabilidade dos Estados ultrapassa largamente o campo de batalha. Portugal não está imune a estas ameaças e precisa de reforçar a antecipação, a cibersegurança e a resiliência institucional.

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J.M.Ferreira

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