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Press Center 24-06-2026

24-06-2026

O calor extremo constitui a ameaça mais imediata. Com 94 milhões de europeus expostos a temperaturas superiores a 35 graus, metade da França em alerta vermelho, dezenas de milhares de pessoas sem eletricidade e Portugal sob avisos de perigo máximo de incêndio em dezenas de concelhos, a emergência climática deixou definitivamente de ser uma projeção científica para se afirmar como um fator estrutural de insegurança. A multiplicação dos dias de calor húmido perigoso desde 1970, os incêndios recorrentes na Gronelândia e a evidência de que as áreas protegidas ardem significativamente menos reforçam a ideia de que a adaptação às alterações climáticas exige políticas públicas consistentes e de longo prazo.

A segurança internacional continua marcada por uma instabilidade crescente. O dossiê nuclear iraniano regressou ao centro das atenções, com a confirmação de visitas de inspetores internacionais a instalações nucleares, enquanto Teerão procura capitalizar diplomaticamente os recentes desenvolvimentos no Médio Oriente. Ao mesmo tempo, prosseguem os combates na Ucrânia, intensifica-se a retórica entre Moscovo e a NATO, a China projeta poder no estreito de Taiwan e a Coreia do Norte reafirma a sua recusa em abdicar do arsenal nuclear. A arquitetura de segurança internacional parece cada vez mais sujeita a tensões que se sobrepõem sem encontrar mecanismos eficazes de descompressão.

Também no espaço europeu se acumulam sinais de vulnerabilidade. Bruxelas manifesta preocupação com o recrutamento online de menores por redes criminosas e pretende reforçar as capacidades tecnológicas da Europol, num contexto em que o narcotráfico transnacional continua a demonstrar elevada capacidade de adaptação, como evidenciou a operação da Polícia Judiciária que desmantelou uma importante rota atlântica de cocaína. Em simultâneo, tal como se refere num artigo publicado, o debate sobre a utilização de comunicações encriptadas como meio de prova recorda que o combate ao crime organizado continua a exigir um equilíbrio delicado entre eficácia investigatória e respeito pelas garantias do Estado de Direito.

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J.M.Ferreira

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