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Press Center 30-09-2026

30-09-2026

Em Portugal, a criminalidade relacionada com o tráfico de droga continua a revelar dimensão e capacidade operacional. Há detenções no Algarve, investigações que se multiplicam no Norte e apreensões relevantes. Ao mesmo tempo, as autoridades procuram atingir a infraestrutura que mantém estas redes em funcionamento, incluindo a logística de combustível utilizada pelo narcotráfico.

Este é um ponto essencial. Como já referimos anteriormente, o combate ao crime organizado não se faz apenas na apreensão final da droga. Faz-se atacando transportes, abastecimentos, comunicações, financiamento, lavagem de dinheiro e redes de apoio. Quando aparecem centenas de milhares de euros associados ao fornecimento de combustível, percebe-se que já não estamos perante criminalidade improvisada, mas perante estruturas que necessitam de logística continuada para funcionar.

Também merece atenção o balanço divulgado sobre o combate ao tráfico: mais de 1900 detenções e meia tonelada de droga apreendida em sete meses. Os números demonstram atividade policial intensa, mas permitem igualmente outra leitura: existe mercado suficiente para sustentar uma criminalidade persistente e disseminada. Uma estatística de detenções é simultaneamente um indicador da resposta do Estado e da dimensão do problema que essa resposta enfrenta.

Há, entretanto, um segundo sinal particularmente inquietante: a violência nas escolas.

Os dados divulgados apontam para o aumento de quase todas as tipologias criminais no meio escolar, com agressões, armas e violência sexual em máximos dos últimos cinco anos. Uma escola nunca será uma realidade completamente isolada da sociedade que a rodeia. Mas quando comportamentos violentos atravessam os seus portões, há razões para levar o fenómeno muito a sério.

Não se trata de transformar cada estabelecimento de ensino numa fortaleza, nem de alimentar alarmismos. Trata-se de reconhecer que armas, agressões ou crimes sexuais no espaço escolar ultrapassam largamente aquilo que durante demasiado tempo foi desculpado como indisciplina juvenil.

A escola é um dos primeiros lugares onde uma sociedade estabelece limites. Se esses limites se tornam frágeis, o problema não pertence exclusivamente aos professores ou às direções. Pertence às famílias, às políticas sociais, às Forças de Segurança, à Justiça e, sobretudo, ao próprio Estado.

Também o sistema prisional apresenta sinais de pressão. Em oito meses, segundo um dos dados destacados neste Press Center, existem mais 650 reclusos e menos 73 guardas prisionais. É uma combinação difícil de ignorar. Mais população prisional e menos capacidade humana de vigilância significam maior pressão sobre segurança, disciplina, reinserção e condições de trabalho.

As prisões costumam aparecer no debate público apenas quando ocorre uma fuga, uma agressão ou um episódio particularmente grave. É uma visão curta. Um sistema prisional degradado não é um problema interno das cadeias. É uma questão de segurança pública.

A pena de prisão tem de proteger a sociedade, executar uma decisão judicial e proporcionar condições mínimas para que a reinserção seja possível. Se faltarem profissionais e aumentar continuamente a população prisional, uma dessas funções, ou várias, acabará inevitavelmente por sofrer.

Também a pequena e média criminalidade continua muito presente: assaltos na rua, roubos em estabelecimentos, violência interpessoal, burlas, crimes sexuais e homicídios surgem no quotidiano noticioso. A diversidade das ocorrências é talvez tão relevante como o seu número, porque demonstra a amplitude das áreas onde as forças policiais e os órgãos de investigação criminal são diariamente chamados a intervir.

Mas há também capacidade operacional.

A GNR surge envolvida numa operação internacional contra fraude ao IVA e na investigação de diferentes ocorrências, enquanto a PSP desenvolve operações contra o tráfico e intervém na criminalidade urbana. A PJ prossegue investigações relacionadas com crimes violentos, roubos, incêndios e abuso sexual. A segurança contemporânea exige precisamente esta combinação entre proximidade territorial, investigação criminal especializada e cooperação internacional.

Outro domínio atravessa silenciosamente todas estas preocupações: o cibercrime.

A criminalidade digital já não constitui um universo paralelo ao crime tradicional. Fraudes, burlas, roubo de identidade, manipulação tecnológica e ataques informáticos cruzam hoje atividade económica, criminalidade organizada e segurança nacional. A transformação digital multiplicou oportunidades legítimas; inevitavelmente, multiplicou também oportunidades criminosas.

O mesmo sucede com a inteligência artificial. A referência a modelos capazes de fornecer instruções relacionadas com armas biológicas ilustra um dos grandes desafios desta nova era: tecnologias desenvolvidas para fins civis podem adquirir utilização de duplo uso, colocando problemas inéditos de segurança, supervisão e responsabilidade.

Há, contudo, notícias positivas que também devem ser reconhecidas.

A época crítica de incêndios termina com uma área ardida significativamente inferior à registada em 2025, apesar de o número de ocorrências permanecer elevado. Isso demonstra que contabilizar apenas incêndios não chega. Interessa perceber dimensão, intensidade, capacidade de ataque inicial, condições meteorológicas, prevenção estrutural e rapidez da resposta.

A segurança não se mede apenas pela inexistência de problemas. Mede-se também pela capacidade de impedir que um problema se transforme numa catástrofe.

Fora de Portugal, o horizonte permanece igualmente carregado.

A guerra na Ucrânia continua marcada pela pressão russa sobre infraestruturas e pela tentativa de desgaste prolongado. A disputa tecnológica em torno das comunicações por satélite, os ataques ao sistema energético e as operações militares demonstram que a guerra moderna se trava simultaneamente no terreno, no espaço digital, nas infraestruturas e nas cadeias logísticas.

No Indo-Pacífico, a movimentação militar chinesa junto de zonas disputadas com as Filipinas e os exercícios anunciados por Taiwan confirmam uma tensão estratégica que há muito deixou de ser exclusivamente regional. O comércio mundial, as cadeias tecnológicas e a segurança marítima tornam qualquer escalada naquela região um problema com consequências potencialmente globais.

Do Médio Oriente ao Mar Vermelho e ao Índico, permanece igualmente a vulnerabilidade das rotas marítimas. A notícia da morte de tripulantes de um petroleiro num ataque de piratas somalis recorda que a liberdade de navegação, tantas vezes tomada como adquirida, continua dependente da presença, vigilância e capacidade de intervenção dos Estados.

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J.M.Ferreira

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