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Press Center 01-10-2026

01-10-2026

Um jovem de 17 anos foi esfaqueado junto a uma escola de Lisboa por um colega da mesma idade. Outro aluno conseguiu desarmar o agressor. Em Loures, outro adolescente, também segundo as notícias do dia, terá tentado matar um amigo de 14 anos. Em Loulé, uma dívida de apenas dez euros esteve alegadamente na origem de uma tentativa de homicídio.

Não são episódios que devam ser amalgamados ou utilizados para sustentar conclusões precipitadas sobre uma geração. Mas seria igualmente errado tratá-los apenas como casos avulsos. Quando a violência grave surge entre adolescentes, à porta das escolas ou no interior dos seus círculos de convivência, há perguntas que não podem ser adiadas sobre conflito, acesso a armas brancas, autoridade, acompanhamento familiar e capacidade de identificação precoce de comportamentos de risco.

A segurança começa muito antes da chegada de uma patrulha. Mas talvez o dado mais desconfortável deste 1 de outubro venha dos extremos da vida. Enquanto os mais novos surgem associados a episódios de violência preocupante, milhares de idosos continuam expostos a furtos, burlas, roubos, isolamento e violência dentro da própria família.

Entre janeiro e agosto, a GNR registou, na sua área de responsabilidade, 2720 burlas, 4545 furtos e 417 roubos contra idosos. A operação “Censos Sénior 2026”, iniciada agora, sucede a uma edição de 2025 em que a Guarda sinalizou mais de 43 mil pessoas idosas a viver sozinhas, isoladas ou em situação de vulnerabilidade.

Nos centros urbanos, a PSP encontrou este ano 294 idosos em situação de risco durante a sua operação de verão. E os números acumulados impressionam: 54.275 crimes contra idosos registados em três anos, com predominância de furtos e burlas e, nos crimes contra pessoas, das agressões e da violência doméstica.

Há ainda um dado particularmente perturbador. Segundo informação divulgada pela APAV, os filhos representam 33,8% dos agressores identificados em situações envolvendo idosos. A própria PSP alerta para casos em que filhos adultos, muitas vezes residentes na mesma casa, agridem os pais.

É difícil imaginar forma mais cruel de insegurança. A rua pode ser perigosa, mas a casa deveria ser o último reduto de proteção. Quando deixa de o ser, a vítima perde mais do que segurança física: perde a confiança no espaço e nas pessoas que deveriam protegê-la.

Ao lado desta violência próxima, permanece a criminalidade organizada. A condenação de uma rede que importava cocaína do Brasil através do Porto de Leixões mostra, uma vez mais, que Portugal não é apenas território de passagem. O principal arguido foi condenado a 17 anos de prisão por crimes que incluíram tráfico de estupefacientes, associação criminosa, detenção de arma proibida e branqueamento. A investigação demonstrou ainda a utilização de conhecimento interno de trabalhadores portuários e mecanismos de lavagem de dinheiro através de negócios aparentemente legítimos.

No Algarve, a GNR anunciou igualmente a detenção de dez homens e a apreensão de duas embarcações e de uma viatura. São notícias diferentes, mas inserem-se numa realidade que se tem tornado recorrente: grupos criminosos mais organizados, melhores meios logísticos e uma exploração sistemática da posição geográfica e das infraestruturas portuguesas.

E a ameaça já não precisa sequer de entrar pela porta. Pode chegar através de uma carta aparentemente enviada pelo banco, de um código QR ou de uma loja online cuidadosamente construída para enganar. O Banco de Portugal alertou precisamente para uma nova fraude envolvendo cartões enviados pelo correio e falsos procedimentos de ativação, recomendando que os clientes não utilizem ligações ou códigos QR constantes dessas comunicações.

A criminalidade acompanha a tecnologia porque o criminoso procura sempre o ponto mais frágil do sistema. E, muitas vezes, esse ponto não é tecnológico: é humano. A pressa, o medo, a confiança ou o desconhecimento continuam a ser algumas das melhores ferramentas do burlão.

Também as instituições de segurança e Justiça aparecem sob pressão. As notícias sobre divergências internas na Polícia Judiciária, dificuldades no relacionamento entre estruturas policiais e Governo e a falta de magistrados denunciada no Porto obrigam a olhar para a segurança para além do número de detenções.

Não basta exigir resultados operacionais. É necessário garantir estruturas estáveis, recursos humanos suficientes, mecanismos de controlo credíveis e confiança dentro das próprias instituições. Uma polícia tecnicamente eficaz pode perder capacidade quando vive permanentemente mergulhada em conflitos internos, falta de efetivos ou desgaste organizacional.

E, enquanto Portugal discute os seus problemas domésticos, o quadro internacional continua a degradar-se. Moscovo avisou a NATO de que poderia recorrer ao seu arsenal, incluindo armas nucleares, perante uma eventual tentativa de isolamento de Kaliningrado. A NATO respondeu sublinhando o caráter defensivo da Aliança e classificando a retórica nuclear russa como irresponsável.

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J.M.Ferreira

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