está a ler...
Ambiente, Catástrofes, Ciências Forenses, Cibersegurança, Defesa, droga, Espaço, Forças Armadas, forças de segurança, geopolítica, informações, Inteligência Artificial, Investigação Criminal, Proteção Civil, Relações Internacionais, Saúde, Segurança

Press Center 02-10-2026

02-10-2026

Em Portugal, o narcotráfico volta a ocupar um lugar central. A apreensão de cerca de 580 quilos de droga na zona do Carvalhal, em Grândola, junta-se à notícia de que lanchas rápidas utilizadas no tráfico internacional estarão a ser fabricadas em território português. A isto somam-se apreensões de milhares de litros de gasolina no Algarve, precisamente um dos elementos logísticos essenciais às embarcações de alta velocidade utilizadas pelas redes criminosas.

Individualmente, cada ocorrência poderia parecer apenas mais uma operação policial. Observadas em conjunto, porém, sugerem algo mais preocupante: Portugal não é apenas território de passagem da droga que chega à Europa. A sua costa, capacidade náutica, portos, combustível, oficinas e redes de apoio podem integrar uma verdadeira cadeia logística do narcotráfico internacional.

Esta dimensão merece atenção estratégica. Combater droga já não significa apenas intercetar carregamentos. Significa identificar quem constrói embarcações, quem fornece combustível, quem disponibiliza comunicações, armazéns e transporte, quem movimenta capitais e quem permite que organizações criminosas encontrem condições para se instalarem ou operarem a partir de território nacional.

A criminalidade quotidiana continua, entretanto, a mostrar uma realidade fragmentada mas persistente. Há violência doméstica, crimes sexuais, assaltos com armas brancas, burlas dirigidas a idosos, pornografia de menores e episódios envolvendo armas ou réplicas. Uma criança de 12 anos terá mesmo disparado contra automóveis com uma réplica de AK-47, levando a PSP a recordar que objetos praticamente indistinguíveis de armas verdadeiras estão muito longe de ser brinquedos.

Também a violência doméstica permanece dramaticamente presente. Prisões, detenções e condenações sucedem-se, enquanto a abertura de uma nova casa-abrigo para mulheres vítimas recorda que a segurança não se mede apenas pela presença policial nas ruas. Mede-se também pela capacidade de proteger quem corre perigo dentro da própria casa.

Há depois uma segunda dimensão, menos visível mas institucionalmente decisiva: a confiança na Justiça e no Estado.

O Ministério Público abriu um inquérito para apurar a legalidade da utilização da Base das Lajes pelos Estados Unidos, na sequência de uma denúncia apresentada por elementos do Bloco de Esquerda. Trata-se, nesta fase, de uma investigação destinada a esclarecer os factos e não de uma conclusão sobre a existência de qualquer ilegalidade.

Ao mesmo tempo, permanece a polémica relacionada com o acesso de António Costa ao processo da Operação Influencer, com posições públicas divergentes entre o antigo primeiro-ministro e o Ministério Público. Também aqui importa separar o confronto institucional das conclusões jurídicas: democracia e Estado de direito exigem fiscalização das instituições, mas igualmente prudência perante processos ainda não concluídos.

E se, internamente, a segurança enfrenta criminalidade organizada e tensões institucionais, externamente o cenário é ainda mais inquietante.

A guerra na Ucrânia demonstra diariamente que o campo de batalha contemporâneo deixou há muito de ser apenas terrestre, aéreo ou naval. Drones, ciberataques, sabotagem, operações de informação e ataques contra infraestruturas integram hoje um confronto multidimensional. O Público dava precisamente conta, neste dia, de incidentes envolvendo cabos, drones, sabotagem e desinformação atribuídos à Rússia, num contexto de crescente preocupação europeia com aquilo que habitualmente se designa por guerra híbrida.

Não significa que todos os incidentes ocorridos na Europa tenham a mesma origem ou possam ser automaticamente atribuídos a Moscovo. Significa que proteger um Estado deixou de consistir exclusivamente em defender território. É necessário proteger redes elétricas, telecomunicações, cabos submarinos, aeroportos, portos, sistemas informáticos, processos eleitorais e até o espaço informativo onde se forma a opinião pública.

O Médio Oriente acrescenta outra camada de instabilidade, enquanto a Ucrânia continua sujeita a ataques e os países europeus procuram adaptar estruturas militares concebidas para guerras muito diferentes daquela que hoje observamos.

_________________________________

________________________

J.M.Ferreira

Discussão

Ainda sem comentários.

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

WOOK