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Press Center 19-10-2026

19-10-2026

Por cá, os acampamentos de protesto pela habitação em Lisboa e no Porto colocaram novamente no centro do debate a relação entre o exercício dos direitos fundamentais e a manutenção da ordem pública. A Polícia de Segurança Pública (PSP) anunciou que privilegiará o diálogo e a mediação, mas advertiu que poderá intervir caso as ocupações persistam. O ministro da Administração Interna, Luís Neves, garantiu que a atuação policial respeitará os limites legais.

A questão merece uma reflexão que ultrapassa a polémica imediata. O direito à manifestação é uma conquista democrática que deve ser protegido, mesmo quando incomoda o poder político. Mas o seu exercício não dispensa o cumprimento da lei, tal como a autoridade policial não está dispensada de respeitar os princípios da necessidade e da proporcionalidade.

Acresce que a crise da habitação constitui um problema social profundo, que não desaparece com a remoção de tendas. A intervenção policial pode resolver uma ocupação irregular do espaço público, mas não resolve as dificuldades de quem não consegue pagar uma casa. Confundir a reposição da legalidade com a resolução do conflito social seria um erro político e institucional.

A confiança na justiça enfrenta igualmente desafios. O envio para julgamento de intervenientes no processo Tutti Frutti, as dúvidas de constitucionalidade suscitadas pela Provedora de Justiça relativamente a alterações ao Código de Processo Penal e os conflitos públicos entre magistrados administrativos exigem atenção. São situações distintas, mas recordam que a credibilidade da justiça depende da independência, da transparência e do respeito pelas garantias fundamentais. O julgamento não significa condenação, tal como a discussão sobre a constitucionalidade de uma lei não equivale à sua invalidade.

No domínio criminal, os indicadores continuam a justificar preocupação. As apreensões de embarcações em Olhão por suspeitas de ligação ao narcotráfico e a descoberta de cerca de uma centena de jerricãs junto a um porto de pesca em Torres Vedras reforçam a necessidade de vigilância das zonas costeiras. Embora estes últimos elementos não permitam, isoladamente, estabelecer uma ligação ao tráfico de droga, enquadram-se num contexto em que a logística marítima constitui uma preocupação crescente das autoridades.

A esta realidade juntam-se assaltos à mão armada, episódios de violência grave e esquemas de criminalidade económico-financeira. A condenação de 55 arguidos num processo relacionado com burlas através do MB Way demonstra, por sua vez, a dimensão que a fraude digital pode atingir. Importa reconhecer os resultados da investigação criminal, mas também assegurar que a Guarda Nacional Republicana (GNR), a PSP e os órgãos de polícia criminal especializados dispõem dos meios humanos, tecnológicos e operacionais necessários.

No plano europeu, França continua mergulhada numa grave crise de contestação social. Os confrontos, os incêndios e as pilhagens levaram as autoridades a adotar medidas extraordinárias, incluindo restrições de circulação em determinadas zonas de Paris. A admissão de dificuldades no controlo da violência pelas forças policiais francesas constitui um sinal particularmente preocupante.

A mobilização de centenas de militares em Milão, na sequência de confrontos e pilhagens, demonstra que a instabilidade social já não pode ser observada como um fenómeno exclusivamente francês. Quando o descontentamento coletivo degenera em violência organizada, a resposta policial torna-se indispensável. Contudo, a utilização de meios coercivos não substitui políticas públicas capazes de recuperar a confiança dos cidadãos.

Entretanto, a guerra na Ucrânia continua marcada pela incerteza diplomática e pela crescente importância da tecnologia militar. As críticas de Volodymyr Zelensky aos Estados Unidos, relacionadas com atrasos na entrega de sistemas de defesa e alegadas falhas na partilha de informações, contrastam com as declarações norte-americanas que negam qualquer interrupção dessa cooperação.

O conflito evidencia também uma transformação profunda da atividade militar. O anúncio ucraniano do resgate de um soldado ferido através de um drone aéreo ilustra como a robótica está a alterar não apenas as operações ofensivas, mas também a evacuação de baixas em zonas de elevado risco. A guerra contemporânea combina armamento convencional, sistemas autónomos, inteligência artificial, guerra eletrónica e comunicações por satélite, tornando a superioridade tecnológica cada vez mais decisiva.

A instabilidade estende-se ao Médio Oriente, onde os ataques no Iémen e os incidentes envolvendo a navegação no estreito de Ormuz continuam a ameaçar a segurança regional e o comércio internacional. No Sudão, as notícias de dezenas de mortos num ataque com drones voltam a demonstrar as consequências devastadoras destes meios de combate sobre as populações civis.

A segurança coletiva enfrenta, porém, ameaças que não resultam da violência humana. As inundações provocadas pela tempestade Adam em Espanha, com várias vítimas mortais, operações de resgate e ordens de confinamento, recordam a importância da prevenção e da preparação para fenómenos meteorológicos extremos. Para Portugal, a proximidade geográfica impõe uma reflexão permanente sobre a capacidade de resposta da proteção civil e a articulação entre as diferentes entidades de emergência.

Neste domínio, a utilização experimental de drones no combate inicial a incêndios, na serra do Marão, constitui um exemplo de como a inovação tecnológica pode reforçar a prevenção e a intervenção. Investir nestas soluções é importante, desde que acompanhado por formação, planeamento e recursos adequados.

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J.M.Ferreira

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