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Press Center 23-10-2026

23-10-2026

Em Portugal, o narcotráfico volta a ocupar uma posição central. As operações da Guarda Nacional Republicana (GNR), que permitiram apreender cerca de dez mil litros de combustível, nove viaturas e duas armas de guerra do tipo Kalashnikov, demonstram a dimensão logística e a perigosidade das redes que operam no território nacional. A localização de quatro lanchas rápidas num armazém no Seixal e a apreensão de cinco toneladas de haxixe no Guadiana, numa operação conjunta da GNR e da Guardia Civil espanhola, reforçam a evidência de que estamos perante estruturas criminosas organizadas, dotadas de recursos e capacidade de adaptação.

Já não se trata apenas de transportar droga entre dois pontos. Estas organizações mobilizam embarcações de elevada velocidade, depósitos clandestinos, redes de abastecimento, armamento e estruturas de apoio terrestre. O litoral português e os corredores fluviais assumem particular relevância numa atividade criminosa que explora a geografia, a mobilidade e as vulnerabilidades da fiscalização.

O problema exige, por isso, mais do que apreensões sucessivas. Impõe investigação financeira, cooperação internacional, vigilância marítima e capacidade de antecipação. Enquanto o Estado contabiliza toneladas de droga apreendida, as organizações criminosas procuram aperfeiçoar os mecanismos que lhes permitem substituir rapidamente os meios e os carregamentos perdidos. É nesta capacidade de regeneração que reside uma das maiores dificuldades do combate ao narcotráfico.

A criminalidade organizada manifesta-se também noutras dimensões. A identificação, pela Polícia Judiciária (PJ), de nove vítimas de tráfico de seres humanos para exploração laboral, no âmbito de uma operação europeia, recorda que a violência criminosa nem sempre envolve armas ou confrontos. Muitas vezes esconde-se na precariedade, na dependência económica e na vulnerabilidade de pessoas que procuram melhores condições de vida.

É precisamente aqui que a segurança encontra a sua dimensão mais humana: proteger aqueles que, pela fragilidade das circunstâncias, dificilmente conseguem defender-se.

No quotidiano, sucedem-se igualmente ocorrências que não podem ser desvalorizadas. Os assaltos com recurso a armas ou ameaças, os episódios de violência doméstica, os maus-tratos a uma criança de três anos em Vendas Novas e os ferimentos provocados por uma arma de ar comprimido em Matosinhos ilustram diferentes expressões da violência.

Não seria rigoroso concluir, a partir destas notícias, que toda a criminalidade está a aumentar. Mas seria igualmente imprudente ignorar os efeitos que episódios desta natureza produzem na confiança dos cidadãos. A segurança não depende exclusivamente das estatísticas criminais; depende também da capacidade de prevenir a violência, proteger as vítimas e assegurar respostas judiciais em tempo útil.

Outra questão particularmente sensível prende-se com a atuação das forças de segurança em manifestações públicas. A abertura de um inquérito pelo Ministério Público à intervenção policial no Porto, num contexto de protestos relacionados com a habitação, recoloca em discussão o equilíbrio entre a manutenção da ordem pública e o exercício dos direitos fundamentais.

O direito de manifestação constitui um dos pilares do Estado de direito democrático. Mas também exige condições de segurança para manifestantes, agentes policiais e restantes cidadãos. A intervenção policial deve obedecer aos princípios da legalidade, necessidade, adequação e proporcionalidade.

Investigar eventuais excessos não significa desautorizar a polícia. Significa, pelo contrário, assegurar que o exercício legítimo da autoridade permanece sujeito ao controlo democrático. Da mesma forma, defender o direito de manifestação não equivale a legitimar comportamentos violentos. A maturidade das instituições mede-se pela capacidade de conciliar estas exigências sem ceder a simplificações ou instrumentalizações políticas.

A divulgação de um alerta jihadista relativo à possibilidade de ataques contra polícias e manifestantes, acompanhado pelo Sistema de Segurança Interna, acrescenta uma dimensão particularmente delicada. A ameaça terrorista, mesmo quando não se traduz num perigo concreto e iminente, exige atenção permanente, partilha de informações e preparação operacional, evitando simultaneamente alarmismos injustificados.

No plano internacional, a guerra na Ucrânia continua a demonstrar a transformação profunda dos conflitos contemporâneos. Os relatos sobre dificuldades de acesso aos serviços da Starlink, os ataques a infraestruturas energéticas e os avanços reivindicados pela Rússia revelam uma guerra em que a superioridade militar depende tanto da capacidade de combate como do domínio tecnológico, das comunicações e da resiliência logística.

A devolução recíproca de 270 prisioneiros de guerra por cada uma das partes representa um momento humanitário relevante, mas não altera a brutalidade de um conflito que continua a devastar comunidades. A situação de Oleshky, cidade ucraniana marcada pelas minas e pela escassez alimentar, recorda que, por detrás dos mapas militares e dos discursos diplomáticos, permanecem populações sujeitas a condições extremas.

Ao mesmo tempo, as dúvidas sobre a previsibilidade das decisões norte-americanas e a continuidade do apoio à Ucrânia reforçam a necessidade de a Europa assumir maiores responsabilidades pela sua defesa. A autonomia estratégica europeia deixou de ser uma discussão essencialmente política para se tornar uma exigência de segurança coletiva.

A instabilidade internacional estende-se ao Médio Oriente, perante novas ameaças de escalada envolvendo o Irão e episódios de violência como o tiroteio numa igreja na Jordânia. Em Moçambique, as denúncias de repressão e violência política, associadas à exposição de milhões de pessoas a riscos de proteção, demonstram como a fragilidade institucional compromete direitos, segurança e desenvolvimento.

Mas as ameaças à vida humana não resultam exclusivamente da criminalidade ou da guerra.

Os dados divulgados sobre a mortalidade associada ao calor nas cidades europeias, apontando para cerca de 50 mil mortes num verão particularmente severo, colocam as alterações climáticas no centro das políticas de segurança e proteção civil. Em Portugal, o balanço dos incêndios florestais, com 255 detenções e três bombeiros mortos, evidencia o custo humano de um problema persistente, mesmo num ano em que a área ardida terá diminuído significativamente.

A redução da área destruída não elimina a gravidade da ameaça, sobretudo quando o número de ignições aumenta. A prevenção, o ordenamento do território, a fiscalização e a responsabilização criminal continuam a exigir uma intervenção consistente, muito para além da resposta de emergência.

Também a cibersegurança merece uma atenção crescente. A dependência tecnológica das empresas, das instituições públicas e das infraestruturas críticas transforma as vulnerabilidades digitais em riscos económicos e sociais. A segurança já não se limita à proteção física de pessoas e bens; inclui a continuidade dos serviços essenciais e a proteção da informação.

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J.M.Ferreira

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