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Press Center 26-10-2026

26-10-2026

Em Portugal, as intervenções policiais nas manifestações pela habitação, em Lisboa e no Porto, dominaram a discussão política e institucional. A intervenção do procurador-geral da República, ao defender uma reflexão parlamentar sobre a legislação que regula as manifestações, acrescenta uma dimensão importante.

Mas a segurança interna enfrenta desafios menos visíveis e potencialmente mais profundos. A corrupção, enquanto instrumento de infiltração do crime organizado nas estruturas económicas, administrativas e institucionais, constitui uma ameaça persistente. A investigação de alegados desvios de fundos europeus e os processos judiciais relacionados com práticas corruptivas recordam que a criminalidade económico-financeira não representa apenas perdas patrimoniais: fragiliza a confiança pública e compromete a credibilidade das instituições.

As organizações criminosas procuram cada vez mais influência, proteção e acesso privilegiado a recursos e informações. Combater esta realidade exige investigação financeira especializada, fiscalização eficaz, cooperação internacional e mecanismos preventivos capazes de identificar vulnerabilidades antes de serem exploradas.

Também a criminalidade quotidiana continua a revelar situações preocupantes. Os episódios de violência doméstica, agressões familiares, roubos e tráfico de droga demonstram que a segurança não se mede exclusivamente pelos grandes indicadores estatísticos. Mede-se igualmente pela capacidade de proteger uma criança, uma vítima de violência ou um cidadão ameaçado na sua comunidade. É nessa dimensão humana que a eficácia das políticas públicas encontra uma das suas avaliações mais exigentes.

No plano internacional, a guerra na Ucrânia mantém-se como expressão de uma profunda transformação dos conflitos armados. A utilização intensiva de drones, a evolução dos sistemas de defesa e as dificuldades diplomáticas evidenciam uma guerra em que tecnologia, capacidade industrial, informação e resistência económica são tão determinantes como os meios militares tradicionais.

Neste contexto, a aquisição de drones com inteligência artificial desenvolvidos pela portuguesa Tekever por forças especiais norte-americanas ilustra a crescente relevância das tecnologias avançadas na defesa e o potencial da indústria nacional num setor estrategicamente decisivo.

Entretanto, a persistência da violência em Gaza, os ataques dos houthis e a deslocação de milhares de pessoas em Cabo Delgado, Moçambique, recordam que a instabilidade internacional continua a provocar graves consequências humanitárias. A decisão europeia de prolongar as sanções contra o Estado Islâmico e a Al-Qaeda demonstra, por sua vez, que o terrorismo permanece entre as preocupações de segurança coletiva.

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J.M.Ferreira

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