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Press Center 03-03-2026

03-03-2026

O dia 3 de março de 2026 ficará marcado nos manuais de geopolítica como o momento em que o “nó” do século começou, finalmente, a ser cortado, ou a apertar-se fatalmente. A confirmação pelo Pentágono da morte do Líder Supremo do Irão, Ali Khamenei, num ataque de precisão israelita (alegadamente recorrendo à intrusão em sistemas de videovigilância), empurrou o mundo para um território desconhecido. Entre as ameaças de uma guerra prolongada por parte de Teerão e a ofensiva terrestre de Israel no Líbano, Portugal tenta equilibrar-se entre a solidariedade atlântica e a segurança doméstica.

No centro do furacão doméstico está a Base das Lajes. Apesar do desmentido oficial do Governo de que qualquer aeronave envolvida nos ataques ao Irão tenha partido dos Açores, a percepção de que os EUA utilizam a infraestrutura “como e quando entendem” ganha tração. A tensão é palpável: o Sistema de Segurança Interna e as “secretas” (SIRP) já se reuniram para avaliar as repercussões. O alerta é real, com a PSP a reforçar a vigilância em embaixadas e aeroportos, antecipando que o conflito no Golfo possa transbordar para solo europeu sob a forma de represálias assimétricas.

Enquanto a NATO sinaliza um “amplo apoio” às operações contra Teerão, a Europa fragmenta-se. De um lado, o apoio explícito da Alemanha; do outro, o “rotundo não” de Espanha, que já valeu a Pedro Sánchez duras críticas de Donald Trump. O ex-Presidente, agora de volta ao centro das decisões, já admite usar a Marinha para escoltar petroleiros no Estreito de Ormuz, num cenário que evoca a crise energética de 1979.

Internamente, o país não respira melhor. A Operação Marquês continua a marcar o passo judicial, com o Ministério Público a exigir a presença constante de José Sócrates para evitar “estratégias dilatórias”. Simultaneamente, a Operação Cinderela e a detenção de figuras ligadas ao advogado Paulo Topa por suspeitas de corrupção e associação criminosa revelam um sistema judicial sob pressão extrema.

Ficámos ainda a saber que a PSP excluiu 85 candidatos a agentes por atitudes radicais e agressivas, uma limpeza interna que surge num momento em que a violência doméstica volta a assombrar as estatísticas, com 25 mortes registadas no último ano, e o país desperta para crimes de violência extrema, como o abuso continuado de menores e ataques com armas de fogo em Silves e Barcelos.

Na pasta do Ambiente, a urgência é literal. A Ministra Maria da Graça Carvalho classificou como “super urgente” a intervenção nas arribas e no litoral, fustigado pela depressão “Regina”. Entre os prejuízos de 30 milhões em Alcácer do Sal e as indemnizações por pagar às vítimas do acidente no Elevador da Glória, ocorrido há seis meses, a sensação de uma “desestruturação técnica do Estado” começa a ser apontada por especialistas.

Portugal tem agora “tudo pronto” para repatriar os seus cidadãos através do Egito, num voo que simboliza a fuga de um cenário de guerra que ninguém sabe como travar. Entre o pó do Sara que cobre o céu português e o fumo das explosões no Dubai, o país enfrenta um março de incertezas. Se a queda do regime iraniano é uma oportunidade ou o prefácio de uma guerra global, a resposta parece depender, mais do que nunca, da vontade de Washington e da resiliência de Telavive.

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J.M.Ferreira

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