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Press Center 23-09-2026

23-09-2026

As buscas realizadas na Polícia Judiciária, no âmbito do caso Football Leaks, constituem um episódio particularmente sensível. Não porque a instituição deva beneficiar de qualquer imunidade perante a Justiça, mas precisamente pelo contrário: porque a sua autoridade assenta na legalidade dos procedimentos e na credibilidade de quem os executa. O prestígio de uma instituição não se preserva escondendo dúvidas; consolida-se esclarecendo-as.

Na GNR, as notícias sobre militares que terão necessitado de assistência hospitalar após uma desinfestação nas instalações de formação acrescentam outra dimensão ao problema. Quem escolhe servir o Estado e proteger os cidadãos tem direito a condições dignas de trabalho e formação. Exigir profissionalismo aos militares sem garantir a qualidade das instalações onde vivem e se preparam é uma contradição que merece respostas.

Entretanto, a possibilidade de o fim do SEF ter contribuído para a diminuição dos casos sinalizados de tráfico de seres humanos levanta uma questão ainda mais inquietante. Uma redução estatística não significa necessariamente menos vítimas. Pode significar, simplesmente, menor capacidade para as identificar. E poucas falhas são tão graves como a de um sistema que deixa de reconhecer aqueles que mais precisam da sua proteção.

A estes episódios juntam-se decisões judiciais controversas em matéria de violência nas relações de intimidade, novos casos de criminalidade violenta e os persistentes riscos da segurança rodoviária. Realidades distintas, mas que exigem respostas institucionais consistentes, responsabilidade individual e uma Justiça capaz de conciliar garantias fundamentais com a proteção efetiva das vítimas.

Num contexto internacional marcado pela guerra na Ucrânia, pela competição entre os Estados Unidos e a China e pelos riscos associados à inteligência artificial, Portugal não pode permitir que fragilidades internas comprometam a sua capacidade de resposta a ameaças cada vez mais complexas.

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J.M.Ferreira

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