A partir do Press Center da primeira semana de dezembro de 2025[1] podemos extrair um retrato particularmente denso e inquietante. 
Em Portugal, a atualidade foi dominada por incidentes relacionados com criminalidade grave, falhas na segurança interna e tensões institucionais que revelam um sistema pressionado por carências estruturais.
Ao longo dos dias, registaram-se vários casos de violência doméstica, assaltos à mão armada, rixas entre jovens e episódios de tráfico de droga, num quadro que expõe vulnerabilidades sociais profundas e lacunas persistentes na resposta das autoridades.
As críticas de sindicatos e associações profissionais da PSP e da GNR, que vão desde a escassez de efetivos à falta de equipamentos básicos, reforçam a perceção de um clima de desgaste e de fragilidade operacional.
No campo judicial, o ambiente também foi tenso. Processos mediáticos, investigações complexas e suspeitas de corrupção envolvendo figuras nacionais e internacionais alimentaram um sentimento de desconfiança generalizada.
A gestão das migrações voltou igualmente ao centro do debate, com o executivo a propor medidas mais rigorosas para o controlo de fronteiras e para a expulsão de estrangeiros em situação irregular, em simultâneo proliferam denúncias de exploração laboral e redes ilegais ligadas ao tráfico de pessoas.
Ao mesmo tempo, os serviços públicos enfrentaram pressões significativas: o sistema prisional luta com falta de meios, as escolas denunciam contextos cada vez mais difíceis de indisciplina e violência, e o setor da saúde voltou a evidenciar falhas críticas, desde helicópteros do INEM inoperacionais a tempos de espera hospitalares que ultrapassam uma dezena de horas.
A gripe entrou em fase epidémica, enquanto novos casos de gripe das aves e surtos de sarampo sublinham a vulnerabilidade sanitária do país.
Além-fronteiras, o panorama foi ainda mais grave. A guerra na Ucrânia manteve-se no centro das atenções, com avanços russos, ataques no Mar Negro e advertências de Moscovo que elevam o risco de escalada. As negociações prosseguem, mas com sinais contraditórios e crescente incerteza sobre o futuro do apoio internacional.
A tensão internacional alargou-se ao Médio Oriente, com nova pressão diplomática sobre Gaza, e à Ásia, onde rivalidades entre China e Japão voltaram a intensificar-se.
A semana ficou ainda marcada por catástrofes ambientais de grande escala: cheias devastadoras na Indonésia e no Sudeste Asiático fizeram milhares de vítimas, enquanto fenómenos extremos em Portugal e noutros países mostram que a crise climática continua a avançar sem tréguas.
Diversos episódios de violência extrema em África, tentativas de golpe de Estado e alertas sobre espionagem em instituições académicas ocidentais completam um quadro global de instabilidade.
Assim, a semana de 1 a 7 de dezembro de 2025 ilustra um mundo sob tensão, onde os desafios internos se entrelaçam com um crescente clima internacional de conflito, rivalidade e emergência humanitária.
Manuel Ferreira dos Santos
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