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Press Center 30-01-2026

30-01-2026

A passagem da depressão Kristin pelo país, em especial pela região Centro, revelou uma dimensão de prejuízos que o próprio ministro da Economia classificou como “brutal” e “bastante acima” do registado nos incêndios de 2024 e 2025. Leiria, Figueiró dos Vinhos, Pedrógão Grande, Ferreira do Zêzere, Pombal ou Sertã surgem como alguns dos territórios mais atingidos, com casas destelhadas, infraestruturas destruídas, estradas cortadas, linhas ferroviárias interrompidas e milhares de pessoas sem eletricidade, comunicações ou água. Vista do ar, Leiria apresenta um pinhal esventrado, um estádio virado do avesso e um rio em transbordo,  imagens que sintetizam a violência do fenómeno.

No terreno, multiplicam-se os relatos de desespero. Populações isoladas descrevem horas de medo, filas intermináveis para combustível e a dificuldade em aceder a casas e explorações agrícolas. Empresários falam em prejuízos de milhões, a suinicultura está em situação de calamidade e há lares de idosos a funcionar com geradores emprestados. A Proteção Civil registou milhares de ocorrências, enquanto as Forças de Segurança e o Exército reforçaram a presença para apoiar operações e prevenir furtos, num contexto em que até as comunicações de emergência falharam, com antenas do SIRESP arrancadas pelo temporal.

A resposta política tem sido alvo de críticas. Marcelo Rebelo de Sousa admitiu que a reação podia ter sido mais rápida e exigiu foco nas prioridades de recuperação, ao mesmo tempo que questionou a ausência de decisores no terreno. O Governo garante que há geradores suficientes e prevê a reposição de energia para a maioria dos clientes nos próximos dias, mas reconhece que a recuperação total levará tempo. Bruxelas mostrou-se disponível para enviar apoio, como geradores, embora sem pedido formal de Portugal.

Mais do que um episódio extremo, a tempestade Kristin reacendeu o debate sobre a incapacidade estrutural do país para antecipar e mitigar desastres naturais. Especialistas alertam que apenas uma parte reduzida das casas e infraestruturas tem proteção adequada e que fenómenos desta magnitude podem tornar-se mais frequentes. Entre a solidariedade que se organiza, com plataformas de ajuda, voluntariado e doações, e o receio de novas depressões anunciadas pelo IPMA, fica a sensação de que o país enfrenta não apenas uma emergência, mas um teste sério à sua preparação para um clima cada vez mais imprevisível.

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J.M.Ferreira

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