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Press Center 01-02-2026

01-02-2026

A depressão Kristin expôs, com violência, fragilidades antigas do país. Das aldeias isoladas da Beira Baixa à Praia da Vieira, onde há cinco dias falta luz e internet, multiplicam-se os testemunhos de abandono: “Em Lisboa estaria resolvido”, dizem moradores, enquanto outros perguntam se alguém lhes vai perguntar “se temos um pão para comer”. A resposta do Estado chegou, mas tarde e de forma desigual, alimentando críticas à Proteção Civil e à demora na mobilização em bloco das Forças Armadas, apesar do reforço posterior com centenas de militares, imagens de satélite e a extensão da situação de calamidade, agora acompanhada de apoios anunciados de 2,5 mil milhões de euros.

No terreno, a emergência mistura solidariedade e risco. Centenas fazem fila em Leiria para recolher bens vindos de todo o país; voluntários avançam apesar de fibras tóxicas; vizinhos reparam telhados entre a necessidade e o perigo. Em paralelo, as autoridades alertam para ameaças menos visíveis: geradores mal usados, intoxicações por monóxido de carbono, roubos oportunistas e a venda de equipamentos suspeitos. O mau tempo não trouxe apenas destruição material — deixou marcas que não desaparecem com a limpeza e reavivou o debate sobre preparação doméstica, comunicações de emergência e a eventual utilização de soluções como a Starlink para colmatar falhas do SIRESP.

Lá fora, o mundo não abranda. A guerra na Ucrânia regista níveis recorde de bombardeamentos, enquanto se anunciam novas rondas negociais. No Médio Oriente, Washington e Teerão oscilam entre a retórica de confronto e a promessa de negociação. Noutros pontos do globo, eleições marcadas por violência, atentados e crises sanitárias lembram que a instabilidade é transversal.

Entre tempestades, guerras e decisões adiadas, Kristin tornou-se mais do que um fenómeno meteorológico: é um teste à capacidade coletiva de aprender. Preparação, rapidez, coordenação e justiça territorial deixaram de ser palavras-chave para se tornarem exigências. Quando o socorro falha, a emergência não espera, e a confiança também não.

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J.M.Ferreira

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