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Press Center 03-02-2026

03-02-2026

Portugal acordou esta terça-feira entre a gestão do imediato e a consciência de uma fragilidade estrutural que se repete. A sucessão de tempestades, Kristin ainda a marcar o território e Leonardo já a entrar, expôs, mais uma vez, a vulnerabilidade do país a fenómenos extremos, num janeiro que a Agência Portuguesa do Ambiente admite poder ter sido o mais chuvoso de sempre. Barragens a libertar volumes históricos, rios a transbordar, estradas cortadas, localidades inundadas e milhares de pessoas dependentes de respostas que, segundo especialistas e autarcas, continuam a chegar tarde ou de forma insuficiente.

No terreno, a Proteção Civil elevou o estado de prontidão ao nível máximo, com milhares de operacionais mobilizados, enquanto o Governo garante que “não vai parar até resolver tudo”. Ainda assim, multiplicam-se as críticas à demora na ativação de mecanismos nacionais e europeus de emergência, à falta de planeamento e à incapacidade de antecipar impactos que já não são excecionais, mas recorrentes. O debate sobre a responsabilização do Estado, a necessidade de novos critérios para infraestruturas, das redes elétricas à gestão das bacias hidrográficas, e a criação de verdadeiros “refúgios climáticos” ganhou centralidade.

A crise climática cruzou-se com problemas de segurança e ordem pública. Furtos de combustível a geradores comprometeram o abastecimento de água em concelhos como a Batalha, obrigando à contratação de segurança privada em pleno contexto de emergência. A PSP voltou a estar no centro da atenção, com agentes feridos em perseguições, denúncias de condições de trabalho degradadas e alertas para um sistema sob pressão. Em paralelo, a criminalidade violenta e os crimes sexuais continuaram a marcar a atualidade, lembrando que a instabilidade social se agrava quando o Estado falha nas respostas básicas.

No plano internacional, a guerra na Ucrânia voltou a intensificar-se com ataques russos que deixaram milhares sem aquecimento, enquanto Kiev acusa Moscovo de preferir o terror à diplomacia. A tensão global estendeu-se ao Médio Oriente e à Ásia, com incidentes militares, purgas políticas na China e sinais de reconfiguração na Venezuela um mês após a captura de Maduro, num equilíbrio frágil entre esperança e temor.

O retrato do dia é o de um país, e de um mundo, confrontado com crises simultâneas e interligadas. Como sintetizou um responsável ouvido ao longo do dia, o problema já não é a imprevisibilidade do clima, mas a dificuldade em mudar sistemas pensados para um passado que deixou de existir. Entre a emergência e a reconstrução, fica a pergunta que atravessa o noticiário: estaremos preparados para o que aí vem, ou continuaremos a reagir sempre depois do impacto?

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J.M.Ferreira

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