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Press Center 04-02-2026

04-02-2026

Entre rios fora do leito e um Estado fora de tempo, a tempestade não só inundou o país como revelou, sem margem para dúvida, as fragilidades de quem devia proteger.

O Press Center mostra um país a braços com a violência persistente das depressões Kristin e Leonardo e marcado por uma sensação generalizada de falha na antecipação e na resposta do Estado. Cheias, estradas cortadas, aldeias isoladas, milhares de pessoas sem eletricidade e dezenas de municípios em alerta expuseram fragilidades antigas: da Proteção Civil ao SIRESP, da coordenação entre entidades à comunicação com as populações. O Governo admite surpresa perante um fenómeno classificado como excecional, mas autarcas e o Presidente da República apontam o “défice de antecipação” e exigem que os apoios cheguem rapidamente ao terreno.

Do Alentejo ao Centro, passando pela Grande Lisboa, os impactos foram extensos: rios a galgar margens, casas inundadas, evacuações preventivas, escolas e serviços de saúde condicionados, agricultores à beira do colapso financeiro. A Força Aérea registou cheias históricas, o Eurobarómetro confirma que os portugueses são hoje os europeus mais preocupados com catástrofes naturais e cresce o consenso de que as alterações climáticas deixaram de ser exceção para se tornarem regra. A questão já não é apenas reagir, mas aprender a viver, e a planear, com eventos extremos cada vez mais frequentes.

Em paralelo, o quotidiano não deu tréguas: crimes violentos, burlas, tráfico de droga, atropelamentos com fuga e uma pressão acrescida sobre forças de segurança e serviços de emergência, num contexto em que milhares de candidatos ficaram pelo caminho no concurso para a PSP e em que o INEM enfrenta problemas estruturais na formação e na resposta. A insegurança, real ou percecionada, cruza-se assim com a fragilidade social deixada pelo mau tempo.

No plano internacional, a guerra na Ucrânia continua sem sinais de desanuviamento, com negociações inconclusivas e uma retórica endurecida, enquanto os Estados Unidos surgem envolvidos em múltiplas frentes, da imigração aos equilíbrios nucleares. Entre crises globais e vulnerabilidades internas, o retrato é claro: o clima agravou tudo, mas expôs sobretudo limites antigos do Estado. A próxima tempestade, avisam especialistas e autarcas, já não é uma hipótese, é apenas uma questão de tempo.

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J.M.Ferreira

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