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Press Center 05-02-2026

05-02-2026

Portugal entrou numa fase prolongada de exceção. Uma semana depois da passagem devastadora da tempestade Kristin, o território continua sob forte pressão meteorológica, social e institucional, com cheias, derrocadas, evacuações e serviços essenciais ainda longe da normalidade. E, quando a recuperação mal começou, uma nova depressão,  agora Marta, aproxima-se, trazendo mais chuva intensa e rajadas de vento que podem atingir os 120 km/h.

A situação é particularmente grave nas bacias do Tejo, Mondego, Sado e Guadiana. A Lezíria do Tejo vive noites de sobressalto devido às descargas espanholas, com alerta vermelho e apelos à evacuação preventiva das populações ribeirinhas. Só nos últimos dias, centenas de pessoas foram retiradas das suas casas, idosos foram deslocados de lares, centros de saúde encerraram e unidades hospitalares ativaram planos de catástrofe. A Marinha e o Exército multiplicam operações de resgate, enquanto a Proteção Civil reforça avisos e admite que o agravamento das condições pode provocar novas falhas na rede elétrica e de comunicações.

No terreno, o retrato mantém-se duro. Em zonas do interior de Leiria, mais de uma semana depois, ainda falta luz, água e, como descrevem moradores, “esperança”. As cheias sucederam ao vento: casas sem telhado enfrentam agora a água à porta; coberturas provisórias voltam a voar; estradas tornam-se intransitáveis; campos agrícolas ficam submersos. Os prejuízos globais já ultrapassam os 4.000 milhões de euros, num país onde apenas uma pequena fração dos danos está coberta por seguros.

O Governo prolongou a situação de calamidade até 15 de fevereiro, anunciou medidas excecionais para a reconstrução e admite criar um fundo permanente para catástrofes, eventualmente apoiado por seguros. Mas o debate político intensifica-se. Persistem críticas à resposta inicial, à comunicação do risco e ao tempo de prontidão dos meios, com o próprio Expresso a revelar que os militares só entraram em “prontidão imediata” uma semana após a tempestade. A ministra Maria da Graça Carvalho reconhece que a previsão da magnitude da Kristin chegou “demasiado perto do evento” para permitir uma distribuição eficaz de geradores.

Ao mesmo tempo, emergem sinais de tensão social: furtos de geradores, tentativas de especulação de preços,  já sob vigilância da ASAE,  e um cansaço coletivo visível. Ainda assim, a solidariedade continua a ser um dos poucos pontos de estabilidade, com voluntários, forças de segurança e militares a assegurar alimentos, resgates e apoio logístico em múltiplos concelhos.

O Press Center destes dias revela um país a viver em estado de alerta quase permanente, onde o excecional ameaça tornar-se rotina. Entre tempestades sucessivas, rios no limite e infraestruturas frágeis, a pergunta deixa de ser quando termina a crise, e passa a ser como preparar o país para resistir a um ciclo que, tudo indica, está longe de terminar.

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J.M.Ferreira

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