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Press Center 12-02-2026

12-02-2026

O Inverno de 2026 ficará como um ponto de inflexão. Em poucos dias, Portugal viu-se confrontado com cheias iminentes no Mondego, risco elevado nas bacias do Tejo e do Vouga, cortes ferroviários e o colapso de um troço da A1,  imagem poderosa de um território vulnerável. A precipitação excecional confirmou o que a ciência há muito anuncia: os eventos extremos deixaram de ser raros. A questão já não é se vão repetir-se, mas se o país está preparado.

O Governo anunciou avaliações técnicas às principais infraestruturas rodoviárias e ferroviárias. A decisão é necessária, mas sublinha um problema estrutural: a manutenção e a prevenção raramente têm prioridade política. Diques dimensionados para outro regime climático, sistemas de drenagem insuficientes e mapas de risco desatualizados revelam um desfasamento entre realidade e planeamento. A crise climática exige investimento continuado, não apenas resposta de emergência.

A turbulência política agravou a perceção de fragilidade. A demissão da ministra da Administração Interna em plena crise abriu debate sobre responsabilidade e estabilidade. Autarquias e Proteção Civil responderam com mobilização visível, mas persistem falhas de coordenação e uma cultura de risco insuficiente, evidente na resistência de cidadãos em abandonar zonas perigosas.

Em paralelo, o sistema judicial vive sob escrutínio: investigações por suspeitas de corrupção, sentenças anuladas e buscas a entidades públicas reforçam a sensação de instabilidade institucional. O combate à corrupção é indispensável, mas deve equilibrar celeridade com garantias. A confiança constrói-se tanto na firmeza como na prudência.

No plano social, os números da violência doméstica e no namoro lembram que a insegurança não é apenas natural ou económica. O Parlamento reagiu com novas restrições ao acesso de menores a plataformas digitais, reconhecendo riscos emergentes. Ainda assim, a prevenção continua a ser o elo mais frágil.

Portugal enfrenta, simultaneamente, a força da água e a erosão da confiança. A resposta não pode limitar-se à gestão da crise. Exige estratégia, manutenção consistente, transparência e cultura de prevenção. Porque a exceção tornou-se regra, e governar em permanência sob emergência não é um modelo sustentável de país.

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J.M.Ferreira

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