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Press Center 18-02-2026

18-02-2026

As negociações entre Ucrânia e Rússia terminaram ao fim de duas horas descritas como “difíceis, intensas e substanciais”. Moscovo fala em reuniões “tensas”; Kiev aponta “progressos”. A ambiguidade semântica traduz o impasse estratégico. Em paralelo, a aproximação entre Moscovo e a Coreia do Norte, os exercícios navais conjuntos com o Irão e a aposta chinesa no Ártico ampliam o teatro de competição global. A movimentação reforçada de meios norte-americanos na Base das Lajes e a monitorização de um navio russo ao largo da costa portuguesa confirmam que o Atlântico voltou ao centro da equação de segurança.

Também as relações transatlânticas dão sinais de fricção. O debate sobre uma eventual rutura entre Estados Unidos e Europa ganha tração num contexto em que Washington endurece posições face a Teerão e Havana, enquanto Portugal se junta, na ONU, a dezenas de países que denunciam a expansão de colonatos israelitas na Cisjordânia. A ordem internacional revela fissuras, e a diplomacia move-se num terreno cada vez mais fragmentado.

Internamente, o rescaldo das intempéries continua a marcar a agenda. Cerca de 7.600 clientes permanecem sem eletricidade e quase 84 mil utilizadores enfrentam falhas de comunicações. As 115 mil apólices acionadas e os 75 milhões de euros em pedidos de apoio para habitações danificadas dimensionam o impacto económico. A tragédia do casal encontrado em Soure, após dias desaparecido, reforça a perceção de que fenómenos extremos expõem debilidades antigas: planeamento insuficiente, infraestruturas frágeis e coordenação complexa entre níveis de poder. O debate sobre o centralismo regressa, com autarquias a pedirem maior autonomia operacional e financeira.

Na segurança e justiça, os sinais são igualmente inquietantes. A condenação de um maestro a 14 anos por abuso sexual de menores, o regresso a tribunal do autor do massacre no Centro Ismaili e o aumento de 15% das queixas de violência no namoro em 2025 compõem um retrato exigente. Ao mesmo tempo, multiplicam-se detenções por tráfico, com apreensões de cocaína suficientes para 108 mil doses, e a PSP contabiliza 879 detenções em apenas nove dias. A perceção de desordem, frequentemente sintetizada na expressão “faroeste”, convive com um sistema judicial sob escrutínio público.

O consumo de drogas apresenta um quadro ambivalente: jovens terão reduzido consumos entre 2019 e 2024, mas o crack aumentou 60% nas prisões e as drogas sintéticas ganham terreno, com particular incidência nos Açores e na Madeira. Nas redes sociais, farmacêuticos alertam para o “desafio do paracetamol”, classificado como risco sério para a saúde pública, exemplo de como o ecossistema digital amplifica comportamentos potencialmente letais.

A dimensão tecnológica atravessa ainda outros domínios: um ciberataque atingiu a companhia ferroviária alemã; um hacker foi detido após explorar vulnerabilidades em hotéis de luxo; e a infeção do telemóvel de um jornalista em Angola com spyware reacende o debate sobre vigilância e liberdade de imprensa.

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J.M.Ferreira

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