21-02-2206
Portugal atravessa dias de tensão difusa, em que a sucessão de ocorrências internas se cruza com um cenário internacional volátil. No centro desta encruzilhada política e operacional está Luís Neves, o novo ministro da Administração Interna, chamado a assumir funções num contexto particularmente exigente.
Nas últimas semanas, a Polícia Judiciária deteve suspeitos ligados a redes internacionais de tráfico de droga, incluindo no aeroporto de Lisboa e no Porto de Leixões, e desencadeou operações como a “Teia Branca”, envolvendo cidadãos venezuelanos e espanhóis. A par destas ações, a PSP registou centenas de detenções numa única semana — a maioria por condução sob o efeito de álcool ou sem carta — enquanto se multiplicam episódios de violência urbana: esfaqueamentos em Braga, um jovem baleado em Olhão, raptos em Lisboa e o atropelamento de cinco pessoas no Chiado, cujo suspeito foi entretanto detido.
O retrato interno é agravado por constrangimentos estruturais. A PSP perdeu 172 agentes em Lisboa e no Porto, alimentando receios quanto à presença policial nas ruas. Os sindicatos recordam as palavras do próprio Luís Neves, que, antes de integrar o Governo, classificou como “não aceitáveis” os salários na PSP. A expectativa é elevada: os profissionais querem respostas rápidas para carreiras, remunerações e condições de trabalho, num ministério historicamente marcado por demissões e polémicas.
Mas o país não vive apenas sob a pressão da segurança. A sucessão de fenómenos extremos, das tempestades que deixaram populações isoladas às cheias no Mondego e aos rombos nos diques de Estarreja, expõe fragilidades na proteção civil e na gestão do território. Aos 86 anos, Maria José vive há mais de 20 dias sem eletricidade; em Porto Brandão, há casas que nunca mais reabrirão portas; na Madeira, helicópteros e dezenas de operacionais combatem incêndios. A resiliência das comunidades contrasta com as críticas a anos de negligência estrutural.
A nível internacional, o pano de fundo é igualmente instável: libertações de presos políticos na Venezuela, tensões entre EUA e Irão, aeronaves russas intercetadas perto do Alasca, disputas energéticas na Europa de Leste. Ainda que distantes, estes movimentos ecoam numa Europa onde a segurança, a energia e a migração voltam a dominar a agenda.
É neste cruzamento de crises, sociais, climáticas, criminais e geopolíticas, que Luís Neves inicia funções. Descrito como um operacional “do lado da solução”, frontal e sem medo, terá de converter capital técnico em liderança política. A pressão não é apenas para manter a eficácia repressiva que marcou a sua passagem pela PJ, mas para reconstruir confiança nas Forças de Segurança, nas estruturas de proteção civil e na capacidade do Estado para antecipar riscos.
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J.M.Ferreira

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