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Press Center 24-02-2026

24-02-2026

24 de fevereiro de 2026 marca o quarto aniversário da invasão russa da Ucrânia. O que Moscovo apresentou como uma operação de poucos dias transformou-se numa guerra prolongada, de desgaste, com impacto estrutural na segurança europeia e na política interna dos Estados-membros. A pergunta mantém-se: quanto tempo mais?

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, assinalou a data reiterando o pedido de adesão à União Europeia e de reforço das sanções a Moscovo. A Rússia, por seu lado, admite que continuará a guerra até atingir os seus objetivos estratégicos. A Agência Internacional de Energia Atómica mantém o alerta: a segurança nuclear na Ucrânia continua “muito precária”.

Em Bruxelas, a unidade europeia revela fissuras. O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, vetou novas sanções e bloqueou o empréstimo a Kiev, mas o Parlamento Europeu acabou por viabilizar um apoio financeiro de 90 mil milhões de euros, contornando o impasse. Portugal mantém uma posição clara: o primeiro-ministro Luís Montenegro reafirma que a Ucrânia pode contar com Lisboa, enquanto o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa sustenta o apoio à futura adesão ucraniana à UE. Já António Costa sublinha que a Europa deve preparar-se para dialogar com Moscovo, sem abdicar dos seus princípios.

A guerra na Europa decorre num mundo mais instável. A despesa militar global atingiu níveis recorde. Os Estados Unidos abriram negociações com Rússia e China após o fim de um tratado nuclear. No México, a morte do narcotraficante “El Mencho” desencadeou uma onda de violência que levou à mobilização de dez mil soldados. No Irão, protestos estudantis reacenderam tensões internas, com o regime a invocar “linhas vermelhas” enquanto negoceia externamente. A instabilidade tornou-se regra, não exceção.

Mas o impacto não é apenas geopolítico. Em Portugal, acumulam-se sinais de pressão institucional. A Operação Marquês regressou ao centro do debate com nova renúncia na defesa de José Sócrates, prolongando um processo que simboliza a morosidade judicial. A sucessão na Polícia Judiciária abre incerteza num momento sensível, enquanto se multiplicam casos de criminalidade violenta, tráfico de droga, violência doméstica e fraude digital.

A Comissão Nacional de Proteção de Dados associou-se a um alerta internacional sobre imagens íntimas geradas por inteligência artificial, sublinhando uma nova frente de vulnerabilidade: a manipulação tecnológica capaz de destruir reputações em minutos. Em paralelo, mensagens fraudulentas enviadas em nome da Segurança Social expõem fragilidades na literacia digital e na proteção dos cidadãos.

A tudo isto soma-se a pressão climática. Fevereiro de 2026 já é o mais chuvoso dos últimos 47 anos em Portugal. Inundações no inverno, incêndios no verão e episódios de poeiras do Saara confirmam um padrão de extremos. No Brasil, as chuvas intensas deixaram milhares de desalojados e dezenas de mortos. A crise climática deixou de ser cenário futuro para se tornar variável permanente na governação.

Quatro anos depois, a Ucrânia continua a lutar pela sobrevivência e a Europa pela sua unidade. Portugal, inserido neste contexto, enfrenta simultaneamente desafios externos e fragilidades internas. O equilíbrio entre segurança e liberdade, entre firmeza internacional e coesão doméstica, tornou-se o eixo central da política contemporânea.

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J.M.Ferreira

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