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Press Center 31-03-2026

31-03-2026

Portugal acorda para um retrato complexo da sua segurança interna e externa, onde a ideia de estabilidade surge cada vez menos como garantida. O primeiro-ministro Luís Montenegro sintetizou o momento: “a segurança não é um dado adquirido”. A frase ecoa num dia em que os dados do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) confirmam um paradoxo, a criminalidade geral sobe, mas a criminalidade violenta desce.

O aumento global de 3,1% dos crimes, acompanhado por máximos de uma década em crimes como a violação e pela intensificação de fenómenos como o ódio online e a radicalização de jovens, contrasta com a redução da criminalidade grave. Ainda assim, as autoridades alertam para tendências preocupantes, nomeadamente no tráfico de droga, violência doméstica, com novos padrões de agressão de filhos contra pais, e sinistralidade rodoviária.

No terreno, multiplicam-se sinais de pressão sobre o sistema: detenções por furtos, tráfico e violência espalham-se de Lisboa aos Açores, enquanto o sistema prisional enfrenta desafios estruturais, com 140 reclusos a cumprir penas superiores a 25 anos e o anunciado encerramento da prisão de Lisboa até 2028. Ao mesmo tempo, o INEM luta por recursos humanos, apesar de prometer reforçar meios, incluindo a triplicação de ambulâncias na capital.

A dimensão internacional adensa a incerteza. A guerra envolvendo o Irão continua a marcar a agenda global, com posições divergentes entre aliados ocidentais e sinais contraditórios vindos de Donald Trump, que ora antecipa o fim do conflito, ora pressiona parceiros da NATO. A União Europeia, por seu lado, pede contenção energética, alertando para os custos já elevados da crise, cerca de 14 mil milhões de euros em combustíveis.

As tensões geopolíticas refletem-se também em ameaças híbridas, do risco de sabotagem de cabos submarinos à instrumentalização de mercados financeiros ligados à guerra. Simultaneamente, o terrorismo internacional mantém-se no radar, com ligações entre grupos como o Hezbollah e ataques recentes nos Estados Unidos.

Internamente, a nomeação de Carlos Cabreiro para diretor nacional da Polícia Judiciária surge como tentativa de reforçar a capacidade de resposta do Estado. Mas os desafios são vastos: desde a criminalidade urbana à gestão de catástrofes naturais, como as cheias que já provocaram prejuízos superiores a 200 milhões de euros.

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J.M.Ferreira

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